Nos últimos anos, empresas brasileiras migraram para a nuvem pública buscando um objetivo: agilidade, escalabilidade e inovação. No entanto, muitas acordaram com uma ressaca financeira. O mesmo modelo pay-as-you-go (pague pelo que usar) que prometeu flexibilidade, abriu portas para um novo vilão silencioso: o desperdício de recursos.
A fatura da nuvem, muitas vezes em dólar e cheia de taxas complexas, chega todo mês, e a pergunta se repete na mesa dos gestores de TI e Finanças: “Para onde está indo todo esse dinheiro?”.
Você não está sozinho. Atualmente, estima-se que até 60% de todo o gasto em nuvem seja desperdiçado. São servidores ligados sem uso e recursos superdimensionados que consomem o orçamento.
É para resolver esse caos que surgem as práticas de FinOps (Financial Operations). FinOps não é apenas sobre cortar custos, é uma mudança cultural que traz responsabilidade financeira para a nuvem, unindo as equipes de finanças, TI e negócios para maximizar o valor de cada real investido.
A boa notícia? O resultado é rápido. Relatórios apontam que organizações conseguem identificar uma economia de 10% a 20% em seus gastos apenas por aplicar as práticas de FinOps corretamente.
Por que o desperdício na nuvem acontece?
O desperdício na nuvem raramente é intencional, ele é resultado da facilidade. Em ambientes tradicionais, comprar um novo servidor levava meses. Na nuvem, um desenvolvedor provisiona uma máquina virtual de alta performance em poucos cliques.
O problema é que, na mesma velocidade, ele esquece de desligá-la. Esse vazamento de orçamento vem de fontes clássicas:
- Recursos órfãos: São os mais comuns. Incluem volumes de disco que não estão atrelados a nenhuma instância, snapshots antigos, balanceadores de carga ociosos e IPs elásticos que ninguém mais usa, mas que continuam gerando cobrança.
- Superdimensionamento (overprovisioning): O medo de que a aplicação caia leva as equipes a pedirem muito mais capacidade do que o necessário. A máquina fica ociosa, mas a fatura é cobrada pela capacidade total.
- Ambientes de não produção ligados 24/7: Ambientes de desenvolvimento, teste e homologação que rodam sem necessidade durante a noite, nos fins de semana e feriados. Isso pode representar mais de 60% do tempo de um recurso gasto inutilmente.
Resolver isso não exige cortar a inovação, mas sim aplicar as práticas de FinOps com disciplina.
5 práticas de FinOps essenciais para retomar o controle
FinOps se baseia em um ciclo: Informar, otimizar e operar. As práticas a seguir colocam esse ciclo em ação imediata.
1. Visibilidade total e alocação de custos
A primeira regra do FinOps é: você não pode otimizar o que não pode ver. A maioria das faturas de nuvem dos hyperscalers é um emaranhado de linhas de cobrança que não dizem quem gastou ou por quê.
A tática chave: A solução é uma política de tagging rigorosa. Cada recurso (servidor, banco de dados, storage) deve ser etiquetado com informações essenciais:
- Centro de custo (Ex: marketing, TI-Core)
- Projeto (Ex: novo-E-commerce, app-mobile)
- Dono (Ex: joao.silva)
- Ambiente (Ex: produção, desenvolvimento)
Com isso, você sai de uma fatura de R$ 100.000 para um dashboard que diz: “O projeto novo-E-commerce gastou R$ 30.000, sendo R$ 10.000 em recursos de desenvolvimento que ficaram ligados no fim de semana”. Isso cria accountability e mostra exatamente onde otimizar.
2. Otimização de recursos
Com a visibilidade ganha, começa a fase de otimização. Aqui, o foco é garantir que você pague exatamente pelo que precisa, nem um centavo a mais.
- Rightsizing (dimensionamento correto): Esta é a otimização de maior impacto. As equipes analisam o uso real das instâncias (CPU, memória) e as redimensionam para baixo. Aquela máquina “extra-large” que nunca usa mais de 20% da capacidade pode ser “medium” e custar 75% menos.
- Caça aos zumbis: É hora de eliminar os recursos órfãos identificados na fase de visibilidade. Isso inclui deletar volumes de armazenamento não atrelados, snapshots com mais de 90 dias e IPs ociosos. É uma limpeza que gera economia imediata.
3. Automação para ligar e desligar recursos
Otimizar manualmente é bom, mas otimizar automaticamente é o ideal das práticas de FinOps. O pilar “operar” usa a automação para garantir que as regras de economia sejam seguidas.
- Scripts de “ligar/desligar”: A economia mais fácil de implementar. Automatize scripts para desligar todos os ambientes de desenvolvimento e teste fora do horário comercial (ex: desligar às 19h e ligar às 8h) e durante todo o fim de semana.
- Auto scaling (escalonamento automático): Em vez de provisionar um servidor gigante para o pico da Black Friday, use o auto scaling. Ele adiciona recursos automaticamente quando a demanda sobe e, crucialmente, os remove (e para de cobrar) assim que a demanda cai.
4. Aproveitamento de modelos de preço e descontos
Pagar o preço de prateleira (on-demand) é a forma mais cara de usar a nuvem pública. Se você tem cargas de trabalho estáveis (como um ERP ou o banco de dados principal), usar pay-as-you-go é desperdício.
As práticas de FinOps exigem que a equipe de finanças e TI analisem o uso e comprem instâncias reservadas (RIs) ou Savings Plans. Ao usar um recurso por um período contínuo, os descontos podem passar de 70% sobre o valor on-demand.
5. Criação de uma cultura FinOps colaborativa
Esta é a prática mais importante. FinOps falha se for visto como um problema da TI ou um corte de custos das finanças. É uma responsabilidade compartilhada.
- TI/Devs: Precisam entender o custo do que provisionam.
- Finanças: Precisam entender a agilidade da nuvem e parar de focar apenas no custo mensal (CAPEX vs. OPEX).
- Negócios: Precisam definir o valor que cada aplicação gera, para justificar seu custo.
Essa colaboração transforma o gasto em nuvem de um “custo” para um “investimento”, unindo as equipes de tecnologia, finanças e negócios para tomar decisões baseadas em valor.
Da complexidade à previsibilidade com a 360 Cloud
Implementar as práticas de FinOps é essencial para sobreviver na nuvem pública dos hyperscalers. Mas sejamos honestos: é um trabalho complexo, que exige ferramentas caras e uma mudança cultural profunda, muitas vezes apenas para tentar decifrar uma fatura em dólar.
A verdadeira otimização financeira começa na escolha do parceiro. O que é mais fácil: gerenciar planilhas complexas de RIs e tags para economizar em uma fatura volátil em dólar, ou simplesmente ter uma fatura previsível, transparente e em reais?
É aqui que a 360 Cloud muda o jogo. Como uma plataforma de nuvem 100% nacional, nós removemos a principal causa do desgaste financeiro: a complexidade.
Nossas soluções são cobradas em reais, sem surpresas cambiais e com a transparência que sua estratégia FinOps merece. Como vimos no nosso artigo sobre as vantagens da nuvem nacional, a previsibilidade de custos é um pilar tão importante quanto a performance.
Quer focar na inovação, e não em planilhas de desperdício? A 360 Cloud oferece a plataforma de nuvem pública robusta que seu negócio precisa, com a previsibilidade financeira que o seu orçamento exige.
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